O SOFRIMENTO

A Palavra de Deus é luz para as situações da vida, em especial o sofrimento que nos aflige: doença, peste, fome, pobreza, injustiça, guerra, desastre. Como explicar a Cruz de Cristo e o sofrimento de inocentes? De quem é a culpa? É castigo pelo pecado? Deus não defende o justo que sofre e castiga o malvado?

Jó, homem justo e fiel ao Senhor, possuía muitos bens e grande família. Mas, perdeu seus bens, sua família e caiu em uma doença grave (cf. Jó 7,1). O sofrimento de Jó provoca aflição e revolta contra Deus. Seus amigos falam de castigo de Deus. Jó lamenta sua dor, mas confia em Deus, em quem tem esperança e o sentido para a vida. Seu sofrimento é um exemplo para quem têm fé. Chega a amaldiçoar seu nascimento e não amaldiçoa Deus, mas reconhece e louva sua sabedoria e suas obras: tal grande sofrimento não lhe fecha os olhos para a grandeza de Deus. O sofrimento, ou nos revela o verdadeiro rosto de Deus, ou fazemos dele um monstro que nos inferniza a vida. Quem crê sabe que o sofrimento pode ser uma visita de Deus. Assim visto, tudo fica diferente. Não nascemos para sofrer, mas o sofrimento nos faz crescer.

Em 1Cor 9,16-23, Paulo diz que se alegra na Cruz de Jesus, pois o sofrimento o fez crescer e dar fruto, de tal modo que testemunha: Ai de mim se não evangelizar!

No Evangelho de Marcos (cf. Mc 1,29-39), Jesus lida com o sofrimento em sua missão, anuncia um mundo novo, o Reino de Deus por gestos e palavras, e se faz próximo, solidário à multidão de sofredores e atento às suas necessidades. Com a autoridade que lhe vem do Pai e em comunhão com Ele, Jesus vence o mal e a dor que escravizam o homem. Um dia, sai da sinagoga, vai à casa de Pedro, aproxima-se de sua sogra, estende a mão, e a levanta. Ela volta à vida normal e se põe a servir. Todos procuram Jesus e Ele cura doentes e endemoninhados. De madrugada, levanta-se e vai rezar, num lugar Deserto.

Com a pregação, revela o amor de Deus, leva as almas à fé, dá sentido à dor e mostra o caminho da salvação. Com os milagres, cura corpos enfermos e expulsa demônios. Com a oração, acolhe o plano do Pai e aceita a sua vontade. A oração ilumina o sentido da dor.

O sofrimento é um mistério. Ninguém nasceu para sofrer, mas a dor nos faz crescer. Jesus não tira o sofrimento, mas nos ensina a carregá-lo com amor e esperança, para que dá frutos de vida eterna. Jesus nos garante que Deus nunca nos abandona. Resta-nos confiar em Deus e em seu amor. Os cristãos não fogem do sofrimento. Eles sofrem como todos, ou até mais. Mas, em Cristo, os cristãos sabem que de sua Cruz nasce a Luz. Carregar a cruz sozinhos é desesperador, mas em Cristo temos a Luz do seu ‘Sim’ à vontade do Pai, do Getsêmani e oração do Pai Nosso.

No 34º. dia mundial do doente, 11 de fevereiro, memória de Nossa Senhora de Lourdes, o Papa Francisco nos fala da relação de confiança, na base do cuidado dos doentes, com o tema “Um só é o vosso Mestre e vós sois todos irmãos” (Mt 23, 8). Aos doentes, aos que sofrem os efeitos da pandemia, aos mais pobres, expressa proximidade, solicitude e o afeto da Igreja. A quem diz, mas não faz (cf. Mt 23, 1-12), com uma fé que não se envolve, ele propõe deter-se, escutar, em relação direta e pessoal, sentir empatia e ternura que se comove pelo sofrimento e cuidar e servir (cf. Lc 10, 30-35). A proximidade do cristão expressa o amor de Cristo, o bom Samaritano, que, compadecido, Se faz próximo de todo o ser humano, ferido pelo pecado. As curas de Jesus não são gestos mágicos, mas fruto de encontro pessoal. Ao dom de Deus, oferecido por Jesus, está a fé de quem o acolhe. É o que Jesus insiste: «A tua fé te salvou».

Dom Antonio Emidio Vilar, SDB
 


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