HOSANA E CRUZ

O Domingo de Ramos inicia a Semana Santa e revela o grande amor de Deus em Jesus Cristo que vem a nós, faz-se homem e morre para nos salvar. Revivemos os mistérios centrais da Fé no Domingo de Ramos ou da Paixão, de Triunfo e Humilhação: a Entrada Triunfal de Jesus em Jerusalém montado em jumento, aclamado como Salvador (Jo 12,12-16).

Em (Mc 14,1-15,47),
lemos a narrativa da Paixão de Jesus Cristo, a de São Marcos, a primeira e mais antiga (± 65 dC), a mais breve e dramática que traz uma ordem cronológica mais exata. Na ceia de Betânia, na casa de Simão, Jesus é ungido por uma mulher cujo gesto generoso contrasta com a atitude egoísta e traidora de Judas. A outra Ceia é a Pascal, que Jesus celebra com seus discípulos.

  1. Jesus mantém um silêncio solene e digno, aceita o caminho da Cruz, não reage ao beijo de Judas e ao gesto violento de Pedro. O Pai lhe confiou uma missão e ele vai cumpri-la custe o que custar. No tribunal, acusado, faz silêncio. Mas, perguntado se era o Messias, reponde: Sim, eu sou! E é só! Durante o processo: nenhuma palavra;

  2. Jesus é o Filho de Deus que veio ao mundo para nos salvar. É o que Jesus responde ao Sumo Sacerdote: Eu sou! É o que o Centurião diz aos pés da cruz: Verdadeiramente esse homem era Filho de Deus! É o ponto culminante para Marcos, que no seu evangelho procura responder: Quem é Jesus? A resposta não vem de um apóstolo, nem de um discípulo, mas de um pagão;

  3. Jesus é também Homem e tem a fragilidade da natureza humana: no Jardim, antes de ser preso, sente grande pavor e angústia. Jesus se faz muito humano e próximo de nossas fraquezas;

  4. A Solidão de Cristo está no abandono dos discípulos, na gozação da multidão, na condenação dos líderes, tortura dos soldados. Jesus percorre na solidão o seu caminho de morte. Só Marcos sublinha que Jesus se sentiu só, abandonado por todos, até pelo Pai: Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?

  5. Fato curioso: Um jovem o segue, coberto só de um lençol. Quando os soldados tentam agarrá-lo, livra-se da roupa e foge despido. Esse jovem é o próprio Marcos, é o discípulo, desiludido e amedrontado que larga tudo, quando vê o seu líder ser preso e foge sem olhar para trás;

  6. Coragem de José de Arimatéia: pede à autoridade que o condenou autorização para sepultar Jesus;

  7. Abba, Pai: só Marcos usa essa palavra de Jesus, exatamente na hora mais dramática da sua vida;

  8. As mulheres seguem, servem e sobem com ele a Jerusalém. Marcos destaca a presença delas que seguem e servem Jesus desde a Galiléia e sobem com ele a Jerusalém, até o pé da Cruz. Elas são o modelo para os outros discípulos que tinham fugido.

Os Ramos que carregamos com alegria e entusiasmo na procissão e levamos com devoção para as casas, são o sinal de um povo, que aclama o seu Rei e o reconhece como Senhor que salva e liberta, devem ser o Sinal do compromisso, de quem deseja viver intensamente essa Semana Sta. Não basta apenas aclamar o Cristo em momentos de entusiasmo e depois crucificá-lo na rotina de todos os dias.

O Lava-pés nos leva a limpar o coração na água purificadora da Penitência e a nos pôr a serviço. A Ceia do Senhor nos faz valorizar a presença permanente de Cristo em nosso meio na Eucaristia e seja o alimento constante em nossa caminhada. O Getsêmani nos anima a fazer a vontade do Pai, mesmo nos caminhos do sofrimento e da Cruz.

O Túmulo silencioso é o nosso deserto para escutar mais forte a voz de Deus e um estímulo para remover todas as pedras que mantém ainda trancado o Cristo dentro do túmulo do nosso coração.

A Vigília Pascal reanima nossa Esperança nas promessas do Senhor enquanto aguardamos sua vinda. A Semana Santa nos leva a celebrar a Páscoa com Cristo, vencedor das trevas do pecado e da morte.

Dom Antonio Emidio Vilar, SDB

 


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