EU SOU A VIDEIRA E MEU PAI É O AGRICULTOR !

5º domingo de Páscoa B.

A imagem da videira e dos ramos é bastante sugestiva para que entendamos a necessidade de vivermos unidos e que valorizemos a unidade. Uma imagem também carregada de significado, pois Israel é chamado pelos profetas de “a Vinha do Senhor”; assim, Jesus se utiliza da imagem deveras conhecida no seu ambiente e nos dá a belíssima catequese a respeito da unidade.

A videira torna-se um exemplo simples e claro para nos dizer que se um galho se desgarra do tronco, seca, não produz fruto e morre. A seiva que alimenta a planta circula em toda ela a partir da raiz e através do tronco alimenta seus galhos. O mesmo se dá com a Igreja. Jesus é a videira, o tronco. Separados d’Ele, sem Ele nos tornamos galho seco que ocupa espaço e não produz…

Nossa fé e nosso amor necessitam ser alimentados para não se enfraquecer; e nós, sozinhos, isolados, autossuficientes, não crescemos na fé. A Igreja, os cristãos, discípulos missionários se fortalecem no encontro pessoal com Jesus Cristo, Palavra e Eucaristia! Por mais que tenhamos bons propósitos, bons sentimentos e boas intenções, precisamos viver unidos a Cristo e em Cristo. Nossa participação na vida da Igreja garante o alimento de nossa fé e nosso empenho por maior fraternidade.

Não amemos só com palavras”, mas com atitudes. Sem nossa união com Cristo e com os irmãos, nosso amor é conversa mole para boi dormir, porque sem Cristo não produzimos frutos de salvação.

Nosso amor e nossos bons propósitos, se não se alimentam em Cristo, tornar-se-ão galhos secos. O cristão não vive só de boas intenções, não ama “da boca pra fora”, mas coloca em prática o mandamento novo ensinado pelo próprio Cristo, pois vive unido a Ele. Os que abandonam a comunidade-Igreja podem até conservar o “desejo” do bem em seu coração, contudo só conseguem colocá-lo em prática se unidos a Cristo e aos irmãos.

Para realizar o que agrada a Deus, precisamos “permanecer em Cristo”; o bem que o mundo necessita depende de nós, mas não se origina em nós. É como a seiva que circula em toda a planta e alimenta a flor e o fruto. Além disso, as podas, as correções são sempre necessárias para melhorar a produção e absorver melhor o alimento, a sabedoria, a verdade e a fé.

Muita gente vive infeliz porque bem antes da pandemia se desuniu, se fechou em si e no seu mundinho cinza, se separou de Cristo e dos irmãos; o calor do amor se lhes apagou e esses infelizes se tornaram como um galho doente.
Frutos que agradam a Deus e alegram o mundo são produzidos na unidade e na comunhão dos que se reúnem em torno de Cristo e se alimentam d’Ele construindo a unidade e a comunhão.

Se estamos enxertados em Cristo, será necessário que o Pai nos pode, Ele que é o agricultor”! (Orígenes)
Sem mim, nada podeis fazer”! (Jo 15,5)

Pe. João Paulo Ferreira Ielo


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