Um reino dividido

Os escribas e fariseus de antigamente e de hoje continuam com a mesma mania de ludibriar e enganar as pessoas por meio de seu rigorismo moralista que serve de “máscara” para disfarçar sua atitude dissimulada ao julgar e condenar quem não se enquadra nos seus “padrões”. Como o diabo no jardim do paraíso, os fariseus querem enganar as pessoas quanto ao bem e ao amor de Deus que se realizam concretamente na nossa história.

        Diante do amor sem limites de Deus para com o ser humano, o diabo lança a “serpente” da dúvida no coração da mulher que arrasta o homem e ambos des-confiam de Deus. O mesmo fazem os fariseus quando acusam Jesus de ser o “chefe” dos demônios! Quem não aceita a gratuidade do amor, inventa desculpas, cria embaraços a fim de desacreditar quem faz o bem.

         Acostumados a serem deixadas de lado, as pessoas antes marginalizadas ou descartadas se admiram com o modo como Jesus realiza o bem sem discriminar, se encantam com esse amor que une e reúne a todos os filhos e filhas de Deus. Os fariseus de ontem e de hoje se julgam “perfeitos”, superiores a ponto de julgar e acusar, mas incapazes de amar e acolher; tomam a postura de desacreditar Jesus.

         É próprio do diabo lançar discórdia, criar intrigas e semear divisão – daí o nome diabo, aquele que divide- atitudes próprias de quem não compreende o amor gratuito de Deus, como os fariseus de hoje em dia!

         Um grave risco correm os que não se abrem ao amor, que rejeitam amar aos irmãos ou, pior ainda, pensam que o amor seja “seletivo”, que prega amar aos bons… E quem são os bons e merecedores do amor? Esse tipo de pensar pode levar ao que Jesus, no Evangelho, chama de “pecar contra o Espírito Santo” e pensar que Jesus, ou o amor do nosso Deus não perdoe os que o buscam de coração sincero. Há pessoas que precisam aprender o amor. “Tem gente que machuca a gente; tem gente que não sabe amar”.

         A família de Jesus, sua mãe seus irmãos, suas irmãs, seus parentes superam o laço do sangue; sua família é a sua Igreja a comunidade dos que acolhem sua Palavra e a colocam em prática, o povo novo chamado a viver o amor e a fraternidade. Os irmãos e as irmãs de Jesus são os que à semelhança d’Ele praticam a vontade do Pai, escutam a sua Palavra e vencem o mal pela prática do bem e do amor fraterno. Não é a aparência que torna boa uma pessoa, mas o seu amor e a sinceridade de suas atitudes.

         Cuidado com aqueles de “fala mansa”, e falando baixinho acusam e julgam os irmãos e nada fazem de bem para transformar a sociedade.

         O amor não acusa, o amor ama, serve e dá a própria vida. E os irmãos de Jesus fazem como Ele faz: amam, perdoam e servem; dessa forma vencem o mal.

         “Não é o eu você faz, mas quanto amor você dedica no que faz que realmente importa.”! (Sta. Teresa de Calcutá

 Pe. João Paulo Ferreira Ielo  


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