O Deus da vida aqui está

            “O Deus da vida aqui está”! 13º domingo ano B

            Deus nos criou para a vida de comunhão com Ele; nosso Deus é Deus dos vivos! Então por que temos de morrer? Parece um castigo… É a morte ainda o grande mistério de nossa existência. Talvez por não falarmos tanto dela, ou pelo apego às nossas coisinhas acabamos por esquecer  que a “irmã morte” é parte da nossa vida e mesmo sabendo que mais cedo ou mais tarde ela nos encontra, nos agarramos às nossas frágeis seguranças que não garantem nem um minuto a mais de vida.

            Para o povo do Antigo Testamento, era impuro tudo o que negava a vida, ou que não a favorecia. Um cadáver, corpo sem vida, uma mulher com hemorragia, por exemplo, eram considerados impuros e o que tocasse neles ou fosse tocado por eles tornar-se-ia impuro; a impureza era “compartilhada”.

            Entretanto, Jesus não teme a morte, nem a impureza. “Aquele que não conheceu o pecado, Deus o fez pecado por nós” (cf. 2Cor 5,21). Nosso Senhor enfrenta preconceitos, discriminações e renova a nossa existência, nos livra do mal e das faces da morte. Vai até a casa de Jairo, cuja filha adolescente estava doente, vai socorrer um pai desesperado. No meio do caminho, uma mulher que há doze anos sofria hemorragia, toca em Jesus pois acredita que Ele pode salvar sua vida. Essa mulher não queria que ninguém soubesse de seu mal e de seu ato, pois conforme a Lei ela estava impura e impuro também ficaria tudo o que ela tocasse. Contudo, Jesus não trata as pessoas de forma impessoal. “Alguém me tocou”! “Como podemos saber quem foi no meio dessa multidão”? E a mulher, então, se deixa tocar por Jesus: – “tua fé te salvou”!

            Ao aproximar-se da casa de Jairo era possível ver que o espetáculo do velório estava pronto. A menina estava morta, e debocham de Jesus quando diz que ela dormia. Quando morre a esperança em nós, perdemos o rumo, nossa visão se turva, o desânimo cresce… Jesus, que não teme a morte, toma a menina pela mão, lhe devolve a vida e a entrega a seus pais.

            As feridas secretas de tantas pessoas merecem nossa compaixão. Quantas pessoas boas, mulheres, mães, idosas e idosos, carregam dores e feridas secretas que os fazem sentir-se diminuídos, impuros, indignos e até sem direito de conversar com alguém. A esses irmãos e irmãs Jesus acolhe e nos convida a acolher também, sem recriminar nem julgar; quanta gente boa carrega fardos pesados, sofrem exclusão e discriminação. Todavia, “se buscam a Jesus de coração sincero”, Ele lhes devolve a paz ao seu coração.

            A morte física é natural; o que não é natural é a morte prematura fruto de violência, fome, bala perdida, descaso e descuido com a vida humana; não é natural perder vidas que poderiam ter sido preservadas.

            “Talita cumi”! “Menina, levanta-te”! Essa é a ordem de Jesus. Ele nos toma pelas mãos, nos levanta, renova nossa esperança, devolve a paz ao nosso coração e nos dá a capacidade de nos tornar promotores, defensores, cuidadores da vida.

            “Que Jesus toque também a nós e começaremos a andar”. (S. Jerônimo)

Pe. João Paulo Ferreira Ielo


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