São Pedro e São Paulo | Pe. João Paulo Ferreira Ielo

“E vós, quem dizeis que eu sou?” Solenidade de são Pedro e são Paulo

A liturgia de hoje nos dá a oportunidade de celebrar a Apostolicidade da Igreja, ou seja, nós celebramos a fé que aprendemos dos apóstolos. Não inventamos a Igreja, nem as verdades da fé, mas recebemos dos apóstolos que aprenderam do Senhor.

A Igreja é “comunhão”, é o corpo do Senhor presente em toda aterra; e assim, ninguém vive o cristianismo sozinho, não nos salvamos sozinhos; ninguém é corpo de Cristo sozinho, sem os irmãos e sem a comunidade. A fé cristã se vive em comunidade, mesmo em tempos de pandemia! Pedro, na prisão experimentava a solidariedade da comunidade que sofria unida a ele e por ele rezava. Paulo, depois da queda do cavalo na ida para Damasco, se deixa encontrar pelo Senhor e, no fim de sua vida nos encoraja a viver a fé: “já estou pronto para ser oferecido em sacrifício”.

Nossa vida de discípulos deve revelar o Cristo em quem professamos a fé. Não basta saber “de cor” cada palavra da Escritura ou cada parágrafo do Catecismo e não testemunhar Cristo nas atitudes. Ainda hoje encontramos pessoas que sabem as respostas impecáveis, porém, como diz o profeta, “honram a Deus com os lábios, mas não com o coração”.

Papa Francisco afirmou no dia de são Pedro e são Paulo, que “só uma Igreja liberta é uma Igreja credível”, ou seja, o anúncio do Evangelho, a proclamação da verdade que ilumina e salva não se aprisionam por nenhum tipo de pressão. E assim como Pedro e Paulo, precisamos ser livres para anunciar Jesus. “Pedro, o pescador da Galileia foi libertado em primeiro lugar da sensação de ser inadequado e falido e isso se verificou graças ao amor incondicional de Jesus. Jesus o amou desinteressadamente e apostou nele, o encorajou a não desistir, a lançar novamente as redes, a andar sobre as águas, olhar com coragem suas próprias fraquezas, a segui-lo no caminho da cruze dar a vida por seus irmãos”. Por fim, lhe deu “as chaves para a brisas portas que levam a encontrar o Senhor” Paulo também “foi liberto da escravidão de si mesmo e se tornou o Paulo, pequeno; foi libertado também daquele zelo religioso que o tornara fanático e violento na defesa da fé judaica que o tornara violento ao perseguir os cristãos.”

Ambos compreenderam que a fé e o martírio andam juntos! Se a fé não nos leva a ser testemunhas e mártires de Cristo, não é fé. Satanás com sua fala mansa, seu sussurro de empoderamento, de não aceitar o que os irmãos nos dizem, e de rejeitar a cruz, nos induz a errar longe do Senhor.

A Igreja olha para esses dois gigantes da fé e vê dois Apóstolos que libertaram a força do Evangelho no mundo, só porque antes foram libertados pelo encontro com Cristo. Ele não nos julgou nem humilhou, mas partilhou de perto e afetuosamente a sua vida”. “De igual modo procede Jesus conosco: assegura-nos a sua proximidade, rezando por nós e intercedendo junto ao Pai; repreende-nos com doçura quando erramos, para podermos encontrar a força de nos levantar novamente e retomar o caminho”. (Papa Francisco)

Pe. João Paulo Ferreira Ielo


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