Onde arrumar pão

    A liturgia novamente nos coloca diante do coração misericordioso de Jesus. Uma imensa multidão o segue e Jesus se compadece, não lhes manda embora para “se virarem” em suas casas. E os discípulos perguntam “onde vamos arrumar merenda para esse povo todo?” Jesus, que se preocupa e se ocupa com os que mais sofrem, nos provoca a agir, como fez com Filipe: onde arrumar alimento para saciar a fome desse povo?

    Um dos sinais da chegada do Messias era que ele acabaria com a miséria e a fome. Contudo, como fazer isso hoje? “Duzentas moedas de prata -uma fortuna- não são suficientes” … Tem aqui um menino com cinco pães e dois peixes, mesmo assim, não dá!

    Jesus nos convida a melhorar nosso jeito de ver a realidade; o povo que vivia sob a antiga Lei simbolizada pelos cinco pães, mais os profetas e João, é convidado a viver confiante na lei nova, a nova economia do amor fraterno e da caridade perenes. Já nos fartamos de teorias econômicas que não produziram mais que uma distância infinita entre poucos com muito e muitos com quase nada. E não adianta nada ficarmos recalcitrantes dizendo que os outros, ou os ricos têm de repartir… Enquanto não pararmos de acumular para nós, enquanto não aprendermos a partilhar do que é nosso, a miséria tende a crescer.

    Miséria e fome crescem no mundo por causa da dureza do coração humano. A “lógica” do Reino de Deus é a lógica do amor que nos leva a dar a vida por nossos irmãos. Jesus se compadece do sofrimento das pessoas; trata-as como gente, as faz sentar-se e, como na Eucaristia, lhes dá de comer, sacia não só a sua fome física, como também a sua sede de esperança e de alegria.

    Não é possível celebrar a Eucaristia e justificar a fome no mundo; não podemos celebrar a Eucaristia e não nos incomodar com a fome e miséria de tantos irmãos e irmãs nossos. Da mesma forma, não se pode celebrar a eucaristia com o coração fechado ao outro.

    Cristo ressuscitado que nos alimenta em cada eucaristia nos leva a ressuscitar o mundo. Os que têm dinheiro não resolverão o problema da fome no mundo; é necessário algo mais que dinheiro.

    Cinco pães e dois peixes, alimento simples de gente simples que não deixa seus irmãos e amigos mais próximos “de barriga vazia”, gente simples sabe repartir o seu pouco se aproximando do “muito” que é a caridade em sua vida.

    Se o amor é a lei que “rege” nossa vida, cuidemos de que não falte alimento nas mesas de nossos irmãos e irmãs. Se o “amor de Cristo nos uniu”, saibamos transformar esse amor em vida, na vida dos que mais sofrem.

    E Jesus não fez nada para buscar fama ou notoriedade. Quando querem fazer d’Ele o rei, se retira. Jesus não faz média, ele é generoso e compassivo.

Pe. João Paulo Ferreira Ielo


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