O dinheiro ou o Reino?

Muitas pessoas têm uma enorme preocupação com a “vida eterna”, em como garantir o céu depois dessa vida, ou, como lemos no Evangelho deste domingo, “o que fazer para herdar a vida eterna”? Antes de tudo, é bom lembrar que ninguém “compra” a sua entrada no céu nem podemos olhar para o futuro e fechar os olhos para o presente, para o dia a dia, o nosso hoje e para os que convivem conosco.

Um moço, aparentemente simpático, religioso, se aproxima de Jesus e lhe pergunta o que fazer para ganhar o céu de presente. Jesus lhe responde indicando a prática dos mandamentos que se referem à convivência com os irmãos, ou seja, não levantar falso testemunho, não cometer adultério, não dar calote, não matar, honrar pai e mãe. Mas isso tudo o moço fazia. Então, lhe diz Jesus, falta “algo mais”: vai, vende tudo o que tens, distribui aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me”. Mas o moço franziu a testa e foi embora… É difícil, impossível a um idólatra, um rico entrar no Reino dos céus; é mais fácil passar um camelo pelo buraco da agulha…

O que para nós parece impossível, para Deus não é. Deus é bom; é Ele a verdadeira riqueza que não envenena o coração e não escraviza quem a possui há uma incompatibilidade entre o Reino de Deus e o apego às riquezas; pessoas avarentas têm dificuldade em viver a gratuidade do amor. O moço do Evangelho e todas as pessoas “boas” precisam agir conforme a bondade de Deus! Gente aparentemente irrepreensível, “certinha”, que faz tudo direitinho, pode esconder um orgulho perverso dentro de si. Observa os mandamentos, contudo, não é capaz de se desapegar das riquezas, observa os mandamentos, mas é escravo de seus bens; passa em frente a Igreja, se benze e vai correndo para a lotérica pensando em se enriquecer…

Enfermidade silenciosa é o apego ao dinheiro, doença que se agrava quando a pessoa coloca como objetivo supremo o dinheiro e o que o dinheiro lhe puder comprar. Quando acorda, já não tem mais
ética, família, amigos…

Mais que dinheiro, é necessário “pedir a Sabedoria”! Esta não se compra; é dada por Deus a quem lhe pede e é mais valiosa que tronos e riquezas.

Parece-me que é hora de escolher entre a Vida eterna ou uma vidinha sem graça…

Ouve-me, pobre: o que te falta se Deus está contigo? Ouve-me rico: o que possuís se te falta Deus”?
(Santo Agostinho)

Pe. João Paulo Ferreira Iel

 


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