O grito de Bartimeu

Um cego à beira do caminho grita enquanto Jesus passa. Sua persistência e confiança têm muito a nos ensinar; sua postura débil, porém dinâmica nos provoca a vencer o comodismo instalado na sociedade de nossos dias. Esse cego fica sabendo, ouve falar de Jesus e toma a decisão de não perder a “oportunidade da sua vida” quando Jesus passasse por ali. Sentado à margem do caminho, acostumado com as moedinhas, poderia estar desanimado como a dizer “é assim mesmo”, “o que eu posso fazer”… mas não! Ele grita, não para que as pessoas tenham pena dele; grita porque ele não quer perder a sua “chance” de encontrar-se com Jesus!

O grito, a oração de Bartimeu é o inverso do que fizeram Tiago e João que, ao pedir algo a Jesus, impuseram a sua vontade, deram uma ordem. O cego, diferente deles, tem consciência de sua situação e grita com humildade:- “tem piedade de mim”! Não repete fórmulas, mas grita e implora o que lhe é mais necessário: “tem piedade de mim”!

Bartimeu persevera em sua caminhada, sua prece; persevera no bem mesmo quando o mandam calar. E grita mais forte: “Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim”! Jesus o escuta e se comove:- “chamai-o”! Bartimeu se levanta, deixa as suas coisas, seu manto, suas manias e vai até Jesus. “Que queres que eu te faça”? “Mestre, que eu possa ver”!

O cego não impõe a sua vontade, não se faz vítima, não reclama da sua história e não perde a oportunidade. “Mestre, que eu veja”! Ver é mais que enxergar; ver é estar em comunhão com o Senhor e com os irmãos; ver é crer e testemunhar a fé; ver é enxergar a realidade com novo olhar,  com a lente da misericórdia que nos livra de uma religiosidade míope e cheia da catarata.

Ver, enxergar, contemplar o Senhor é também viver a missão:- “Vai, tua fé te salvou”! Ver o caminho, seguir o Senhor, tornar-se seu discípulo; enxergar os próprios erros, reconhecer a própria cegueira para que o Senhor nos cure.

Precisamos aprender a rezar com Bartimeu. Rezar com sinceridade, rezar com o coração, sem pedir coisas desnecessárias ou supérfluas, buscar em Jesus a água viva que mata a nossa sede de alegria. Rezar com a verdade e não para aparecer; deixar o “manto”, nos despojar de nosso “ego”, nos esvaziar de nós, limpar nossos olhos e ir até o Senhor.

Filho de Davi, tem compaixão de mim!” “Senhor eu quero te ver”!

Pe. João Paulo Ferreira Ielo


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