Não basta saber

          Um mestre da Lei se aproxima de Jesus e lhe pergunta a respeito do “mandamento mais importante dentre todos”! Ao responder, Jesus recita para o mestre o que todas as manhãs um bom judeu reza: “Escuta Israel: o Senhor teu Deus é o único Deus! Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e com toda a tua força”! “E o segundo é: amarás ao teu próximo como a ti mesmo”! Não existe mandamento maior que estes”.

         A Lei de Deus propõe um diálogo conosco, deseja uma resposta sincera de nossa parte, visto que a Lei, ou os mandamentos, é um caminho a seguir. Não é o bastante escutar, conhecer e saber quais os mandamentos e não lhes dar a devida atenção. Escutar a Deus que nos fala se dá em três momentos que são intimamente ligados: ouvir com os ouvidos, acolher com o coração e transformar em ação concreta o que se ouviu e acolheu. Escutar o Senhor nos leva a temê-Lo amando nosso próximo. O amor a Deus é vivo em nós quando amamos os nossos irmãos.

         O amor é algo que precisamos aprender pouco a pouco; nós não nascemos sabendo. Às vezes se confunde atração com amor; outros apelam para a chantagem emocional, deixam aflorar recalques que não é amor. Atração passa logo enquanto o amor permanece; o amor nasce quando “escutamos” a Deus e quando, na escola de Jesus aprendemos a amar aos inimigos, a perdoar quem nos ofende. Amar aos irmãos também começa por escutar a sua história, seus tropeços, seu sofrer. Amar é nos despojar de nós para acolher e não diminuir o outro, é fazer pontes e não muros.

          Não é suficiente conhecer a “Lei” de Deus, decorada e não impressa no coração; amar é criar comunhão com os irmãos e irmãs. Amar a Deus sem amar aos irmãos é a maior mentira, ou como se diz hoje é a pior das “fakenews” que poluem mentes e corações.

         Amar a Deus é o mandamento que se comprova no cuidado e carinho para com nossos semelhantes sem rotular, sem julgar, sem selecionar a quem direcionar nossa caridade. Amor “seletivo” é o neofarisaísmo de nossos dias.

         O mandamento do amor é um modo de vida que envolve a integridade de nosso ser; coração, mente, forças, sentimentos, desejos, sonhos, tudo isso em nós deve buscar a Deus e o amor a Deus se vive no amor aos irmãos, nossos semelhantes. Amar de modo gratuito, generoso, sincero, que respeita a vida, cuida da natureza, que valoriza o outro. Ama a Deus quem persevera na escuta da santa Palavra e no amor aos irmãos, amor que supera a “aparência de bons cristãos”.

         O “amor a Deus e aos irmãos” não é um preceito estético e calmante de consciência, mas a clausula pétrea de nossa vida de fé, o alimento de nossa fraternidade, é a luz que clareia nossa inteligência e dá sentido ao nosso viver.

         “Na realidade a caridade renova o homem; pois assim como a cobiça envelhece o homem, a caridade o rejuvenesce”. (Sto. Agostinho)

Pe. João Paulo Ferreira Ielo


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