A mulher e o rio

A história de nossa cidade, em certos aspectos,  se  confunde com a comunidade religiosa que se formou às margens do grande rio que deu seu nome à vila que começava a modificar a  paisagem daquele vasto campo de outrora. A “Conceição do campo” cresceu, transformou-se em Mogi Guaçu honrando a devoção mariana que recebeu por herança.

Uma pessoa que tem devoção a Virgem Maria, tem de  se inspirar nas ações e atitudes que fizeram de Maria o  modelo  para toda pessoa que crê em seu Filho e nosso Senhor, Jesus Cristo. Assim os primeiros cristãos aprenderam de Maria as lições da fé acompanhada com o serviço aos mais necessitados; sua disposição para acolher Deus e com Ele colaborar na história de nossa salvação; sua presença marcante na vida do povo necessitado do “vinho novo” ensinando o que “fazer” para que este não falte na vida dos crentes.

Não custa lembrar que quando falamos de Maria, nossa Senhora, estamos falando daquela menina que Deus amou e escolheu, pra mãe de Jesus, o Filho de Deus”, aquela mesma que aos pés da cruz recebeu os discípulos de Jesus como filhos em seu lugar; é ela também que estava com os apóstolos quando o Espírito Santo prometido veio repousar sobre a Igreja. Nossa devoção não é a uma imagem e sim para com uma pessoa que viveu, amou e se colocou a serviço de Deus e do seu Filho.

Ao longo de séculos as pessoas simples compreenderam que ao rezar o rosário contemplamos os mistérios da redenção realizada por Jesus Cristo, chamado em cada Ave Maria como “o bendito fruto do vosso ventre”; e percebemos também que Maria proclama o triunfo de Deus sobre os maus, os que enganam e iludem os indefesos ao proclamar que “Ele derruba os poderosos de seus tronos e eleva os humildes; sacia de bens os famintos e despede os ricos sem nada”! Aprendemos que a devoção a nossa Senhora não nos leva a uma religiosidade calmante e sim a uma fé viva e comprometida com o Reino de Deus que deve mostrar entre nós os sinais de fraternidade e amor aos irmãos e irmãs construindo uma sociedade liberta de mentira, corrupção e violência.

De Maria servidora dos mais frágeis, nossa Mogi Guaçu aprendeu a servir os que necessitam, a acolher os que para cá se dirigem e a cuidar dos que são frágeis. Por  esta  comunidade passaram padres que se empenharam em formar uma consciência cristã arraigada no Evangelho de Cristo, padres que lutaram contra a escravidão, contra o analfabetismo, que desafiaram os operários a se organizarem visando condições dignas de trabalho e salários, padres que se ocuparam e se ocupam com o amparo dos  mais  sofridos nesses tempos calamitosos.

Todas as atividades que visavam crescimento do povo, nunca foram exclusivas para católicos, mas disponíveis  para  todos  os “filhos e filhas de Deus”, chamados a crescer, estudar, aprender e construir uma sociedade de fraternidade e justiça. Essa é a geração dos “filhos da Mulher que vai pisar para sempre a  cabeça  da serpente” (cf. Gn 3). Essa é a geração dos que aceitamos Maria como

nossa Mãe, padroeira e Protetora. Reverenciamos a sua imagem como lembrança muito cara de sua entrega em favor de  toda  a humanidade, para que ainda hoje nos lembremos de  “fazer tudo o que Ele nos disser”! (cf. Jo 2,1-11)

Pe. João Paulo Ferreira Ielo


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