Voz que grita no deserto

Vivemos um tempo de situações esquisitas, por vezes parece que o céu vive cinza, a alegria está de quarentena e as notícias não nos ajudam a despertar desse “exílio” em que nos encontramos.

Com tudo isso, ou apesar de tudo isso, vivemos o Advento, tempo que nos desperta dessa letargia do desânimo e nos convida a refazer o caminho do êxodo, sair dessa situação de céu nublado, nos despir das vestes de luto para nos revestir da alegria que vem com o Senhor.

Em nosso caminho vamos vencendo as tristezas, desesperanças, apatia e, ouvindo a “voz” que apela para nos
achegarmos à Palavra da vida que quer alcançar nosso coração, encontramos o sentido de nosso caminho.
Neste segundo domingo de Advento escutamos João, o precursor, que refaz o caminho dos profetas, vai ao deserto, lugar onde pode “escutar” e acolher Deus no mais íntimo de seu coração sem nenhum ruído, sem nenhum barulho que atrapalhe.

O deserto é o lugar onde a voz de Deus ressoa límpida, clara, sem distorções; no deserto nos colocamos diante de Deus como nós somos, sem máscaras e sem disfarces. Aí reconhecemos nossos pecados, injustiças, egoísmos. No deserto se vive do essencial, não há lugar para coisas supérfluas e desnecessárias; no deserto escutamos Deus, aí onde não tem nada, nem sinal de celular e muito menos wi-fi.

Aí, longe das fofocas e das lorotas, Deus fala a nós! Não podemos mais “crer por ouvir dizer” nem repetir o que
outros falam. É hora de nossa “experiência pessoal” de nosso encontro com Deus; é urgente ouvir a Ele que fala conosco, que fala ao nosso coração.

“Voz que grita no deserto: preparai o caminho do Senhor!” “Endireitai as estradas” para que todos conheçam a salvação de Deus!

No meio da gritaria de nossos dias, necessitamos identificar, conhecer e distinguir a voz de Deus; Ele nos espera e não se esconde de nós.

Sua Palavra ecoa em nosso deserto nos chamando a nos aproximar do essencial de nossa fé: amar a Deus e viver o amor em relação aos nossos irmãos e irmãs. Preparar o caminho nos sugere mudar a rota que seguimos, ir pela estrada que nos leva a encontrar o Senhor.

Maravilhas fez conosco o Senhor! Exultemos de alegria!” (Sl 125,3)

Pe. João Paulo Ferreira Ielo


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