A Sagrada Família

    A Sagrada Família Jesus nasceu e viveu em uma família humana, semelhante às famílias da Palestina de sua época. Nasceu sujeito à lei para salvar aos que viviam sob a lei e ensinar a todos a Lei verdadeira.

    A primeira leitura nos oferece um precioso comentário ao “quarto mandamento da Lei de Deus” que nos ordena “Honrar pai e mãe”. Deus honra os pais nos filhos; “filho, ampara teu pai na velhice, quando já tiver dificuldades para enxergar, entender e ouvir. São conselhos de um sábio para a vida dos filhos de Deus e, viver na sabedoria é praticar os mandamentos, sobretudo no cuidado com os pais.

    O respeito à vida não se resume em buscar “bem-estar”, mas um esforço para que a vida de cada ser humano seja respeitada como dom divino e direito humano; respeitar e amparar a vida desde a concepção até seu fim natural; vida com qualidade para todos até branquear os cabelos de nossa cabeça.

    Respeitar os anciãos, cuidar com carinho de sua história, aprender com suas experiências; cuidar dos idosos para vencer essa cultura do “descarte” e do desrespeito.

    “Honrar pai e mãe”, é a prática dos filhos e filhas que ao respeitar os pais humanos também aprendem a respeitar o Pai do céu. Ao mesmo tempo, pais e mães assumem a responsabilidade de educar os filhos para a vida e a fé. São mestres que educam com as atitudes, que não cansam com sermões moralistas, mas ensinam a buscar a Deus antes de tudo, transmitem não só o DNA como também a fé.

Pai e mãe necessitam equilíbrio ao corrigir os filhos, sem gritaria e sem “espetáculos”. “Filho, por que fizeste isso conosco? Teu pai e eu aflitos te procurávamos”! Corrigir sem reprimir nem humilhar, corrigir para crescer e ouvir o outro lado. “Não sabíeis que eu devo cuidar das coisas do meu Pai?” Pai e mãe guardam no coração as palavras de Deus e educam seus filhos na verdade e na liberdade, ensinam a caridade e a prática da fé.

Parece que o único manual para a família é “viver o amor”; a submissão que daí deriva transforma a vida familiar em sementeira de felicidade, escola de perdão e respeito mútuo sem intolerâncias nem indiferenças.

Penso que devamos celebrar nossas famílias e redescobrir a vocação da família como formadora dos que hão de transformar a sociedade em um lugar de irmãos e irmãs que vivem a fraternidade sonhada por Deus.

Mons. João Paulo Ferreira Ielo


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