“Vou cavar em volta dela”. 3º domingo de Quaresma ano “C”

Deus é bom! Tem compaixão de nós, dá a todos o seu amor!

Entretanto, esse amor deseja ser acolhido por nós. Deus ama a todos sem distinção!

Pilatos, uma figura movida a deboche, que não respeita a fé dos israelitas, principalmente dos galileus, mandou matar alguns e misturar seu sangue com o sacrifício aos deuses pagãos. Os que sempre são bem informados, correm contar a Jesus que lhes pergunta com sabedoria: – “eram eles mais pecadores”? Os que morrem vítima de bala perdida, assaltos, acidentes, terrorismo, guerra, são mais pecadores?? Jesus nos afirma que não, mas nós precisamos nos converter!

Sofrimento, dor e fracassos não são castigos; são acontecimentos próprios da nossa condição. Se não nos
convertermos, se Jesus Cristo não ocupar o centro de nossa vida, corremos o risco de transformar a fé e a vida cristã em um moralismo fajuto, um “neo farisaísmo”.

Em seguida, o Senhor nos conta a parábola da figueira que ocupa espaço e não produz fruto. Decepcionado, o dono manda cortá-la. Seu empregado diz para esperar, ele vai cuidar dela, e, se depois desse cuidado ela não der frutos, ele mesmo, o dono a cortará. Deus não nos abandona à nossa pouca sorte; Ele sempre cuida de nós, se preocupa conosco.

A figueira que não dá fruto é como a pessoa em quem a fé não frutifica, é estéril. É aquele tipo que vive a criticar aos outros, põe defeito em tudo, o dedo indicador nem dobra, pois só sabe apontar defeitos, mesmo que não existam; esse tipo não coloca em prática a fé que diz professar e se escandaliza com a misericórdia generosa de Deus.

No tempo presente, muitos correm o risco de uma fé “hibrida”, produzida em laboratório e que gera um “bem-estar” interior; a guerra está longe, o dinheirinho da poupança está rendendo… E indiferentes à vida e a dor de tantos irmãos nossos se isolam em seu pequeno mundo. A figueira estéril ocupa o lugar, a  erra e o espaço de figueira saudável.

Todavia, o agricultor teima com o patrão, cava em volta, aduba, espera. Quem sabe ela produz algo bom!!
Precisamos mergulhar na misericórdia de Deus que nos acolhe com amor; necessitamos de práticas generosas de caridade e de amor que socorrem os que são deixados de lado. Indiferença, moralismos, julgamentos nos levam a esfriar o coração; a brasa do amor se transforma em carvão frio e sem vida. Deus nos livre desses males.

Façamos hoje a experiência da misericórdia de Deus que cuida de nós para que produzamos os frutos que alegram seu coração e que servem para a salvação do mundo. “Feliz é quem faz os outros felizes”.

(Dom Luciano Mendes de Almeida)

Mons. João Paulo Ferreira Ielo


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