Ninguém te condenou? | V domingo da Quaresma “C”

O texto do Evangelho deste domingo é uma catequese batismal e um grande chamado à conversão.  Apanham uma mulher no adultério; ela traiu seu marido, busca a felicidade em uma aventura, se ilude ao ser infiel. Adultério é como cavar um poço em um lugar onde não tem água; como o pecado que engana ao oferecer felicidade sem amor ou longe de Deus.

         Fariseus e escribas trazem uma mulher até Jesus e exigem que Ele dê uma sentença” Moisés, na lei, manda apedrejar tais mulheres… Entretanto, Jesus se abaixa e começa a escrever no chão. Gesto misteriosos que intriga a muitos. Os acusadores insistem com Jesus: vamos acabar com ela ou não? E Jesus, ainda abaixado continua a rabiscar no chão. O que teria ele escrito? “Por que olhas o cisco no olho do teu irmão e não vês a trave no teu próprio olho?” Ou “não matarás…” Contudo, os defensores da moral e dos bons costumes estão com as pedras nas mãos insistindo com Jesus.

         Jesus, então, se ergue e lhes diz:- “quem não tiver pecado, atire a primeira pedra”! E se abaixa novamente. Ele não veio julgar nem condenar, mas libertar e salvar, veio curar o coração e iluminar a vida do ser humano.

         Ainda hoje existe pessoas que tentam encobris seus erros e pecados acusando os pecados dos seus semelhantes, como fazem aqueles homens no evangelho de hoje pensando que apedrejando a mulher escondesse seus pecados e seus erros. “Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra” … E todos foram se retirando, a começar pelos mais velhos. “Os pecadores serão escritos no pó; os justos no céu” afirmara santo Ambrósio.

         Jesus nos mostra a misericórdia de Deus que corrige os que Ele ama. Não podemos confundir o Deus misericordioso com um “pai frouxo”. Deus não condena o pecador, Ele é “doce e reto”, perdoa e adverte:- “vai em paz e, de agora em diante, não peques mais”!

         Corrigir é ajudar o irmão ou irmã a corrigir o erro sem humilhar porque errou; é ajudar a se erguer aqueles que caíram, estender a mão, ajudar a vencer os erros e males. Fariseus de ontem e de hoje acusam, apedrejam, condenam e não movem uma palha para ajudar os que precisam de apoio. Têm língua comprida e braços curtos.

         Jesus nos adverte para não acusar nem condenar e sim ajudar a “curar”, libertar os irmãos, carregar com eles a sua cruz.

         “Tu o amas porque é doce; teme-o porque é reto”. (Sto. Agostinho)
 
Mons. João Paulo Ferreira Ielo


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