Orientações para Dedicação da Igreja

O Rito de Dedicação de Igreja segue as orientações do Cerimonial dos Bispos, n. 864-917, e do Pontifical Romano: Dedicação de Igreja e de Altar, Cap. I.

  1. O Bispo Diocesano presidirá, juntamente com o pároco local, a missa de Dedicação de igreja, da qual poderão tomar parte outros presbíteros que a desejam concelebrar.
  2. A celebração acontecerá em data e hora combinadas com o Senhor Bispo: é conveniente que a data escolhida seja aquela em que o maior número de fiéis se fará presente, observado aqueles dias em que não se poderá celebrar tal missa[1].
  3. Onde se desejar, preparem relíquias de mártires e santos para ser depositadas no altar a ser dedicado. Contudo, observe-se aquilo que a Igreja legisla para tal situação. Se optar pela deposição de relíquias será necessário preparar material destinado a fechar o sepulcro das mesmas.
  4. Conforme antigo costume é preciso fixar nas paredes da igreja cruzes de pedra, bronze ou matéria adequada, ou de as esculpir nas próprias paredes.
    1. Preparar-se-ão DOZE ou QUATRO cruzes dispondo-as devidamente pelas paredes da igreja.
    1. Em cada cruz cravar-se-á um suporte no qual se fixará um PEQUENO CASTIÇAL com vela.
  5. Combinar com o Mestre de Cerimônias a forma com a qual se procederá o início da celebração:
    1. Procissão: “A porta da igreja a ser dedicada deve estar fechada. À hora marcada, o povo reúne-se numa igreja vizinha ou noutro local adequado, de onde partirá a procissão para a igreja.” (CB, 879)
    1. Entrada solene: “Se a procissão não se puder fazer ou se não for oportuno fazê-la, os fiéis reúnem-se à porta da igreja que vai ser dedicada, onde, se for o caso, já terão sido depostas, em forma privada, as relíquias dos Santos” (CB, 886)
    1. Entrada simples: “Não se podendo fazer a entrada solene, faz-se a entrada simples. Reunindo o povo na igreja, o Bispo, os presbíteros concelebrantes, diáconos e ministros, devidamente paramentados, precedidos do Cruciferário dirigem-se da sacristia, através da nave da igreja, para o presbitério” (CB, 890)
  6. A respeito do material litúrgico a ser utilizado observe-se as seguintes prescrições.
    1. Na porta da igreja ou de onde sai a procissão:
      1. Pontifical Romano;
      1. Cruz processional;
      1. Relíquias, que deverão permanecer ladeadas com velas.
    1. Na igreja-sacristia, além do habitual para a celebração da Eucaristia será necessário ter:
      1. Caldeira de água benta e aspersório;
      1. Vasos com o Santo Crisma;
      1. Toalhas para limpar o altar;
      1.  Gremial;
      1. Fogareiro;
      1. Turíbulo e naveta;
      1. Toalha, castiçais e cruz a serem colocados no altar;
      1. Uma vela pequena;
      1. Véu de ombro, caso ocorra a inauguração da Capela do Santíssimo.
  7. Será preciso redigir a ata da dedicação da igreja em duas vias, sendo ambas assinadas pelo Bispo, pelo cura da igreja dedicada e pelos representantes da comunidade local.
    1. Uma via deverá ser encaminhada à Chancelaria do Bispado, outra guardada no arquivo paroquial;
    1. Se houver deposição de relíquia deverá ser redigido uma terceira via da ata a ser incluída no relicário.
  8. As pessoas que participarão da Liturgia devem, como de costume, estar bem preparadas para a função e ter os respectivos lugares reservados, de preferência o mais próximo do presbitério.
    1. Para uma melhor segurança no desenvolvimento do rito será MARCADO UM ENSAIO GERAL a ser realizado com todos aqueles que terão função na celebração;
  9. Fica sob a responsabilidade da paróquia a preparação do comentário inicial e demais comentários que achar oportuno. Recomendamos que sejam realizados comentários que expliquem cada um dos ritos.
  10. Na Liturgia da Palavra a ordem das leituras deve ser a seguinte:
    1. Primeira leitura: Ne 8,1-4a.5-6.8-10;
    1. Salmo Responsorial: Sl 18(19)B,8-9.10.15 (R. cf. Jo 6,63c)
    1. A Segunda leitura[2], o versículo antes do Evangelho (Aclamação ao Evangelho)[3] e o Evangelho[4] são escolhidos dentre os textos do Lecionário do Pontifical Romano.
      1. É necessário informar ao Mestre de Cerimônias as leituras escolhidas, de modo que este comunique ao celebrante.
  11. O Creio não pode ser omitido. Omite-se a Oração dos Fiéis, devido ao canto da Ladainha dos Santos.
  12. O prefácio deve ser o prescrito pelo Pontifical Romano, e a escolha da Oração Eucarística fica a encargo do pároco, desde que seja a I ou a III.
  13. O grupo de canto deve estar em consonância com a celebração e procurar a devida concordância com o tempo litúrgico em que ocorre a celebração. Para isto se observe o acréscimo de cantos para os seguintes ritos:
    1. Procissão, caso essa ocorra, sugestão: Sl 121(122);
    1. Aspersão de água benta no povo e nas paredes;
    1. Ladainha, como prescrita no Pontifical Romano;
    1. Deposição das relíquias, sugestão:  Sl 14(15);
    1. Unção do altar e das paredes, sugestão:  Sl 83(84);
    1. Incensação do altar e das paredes, sugestão:  Sl 137(138);
    1. Iluminação do altar e da igreja, sugestão: Cântico de Tobias 13,8-9a e 10bc.11abc.11def e 13.
  14. Caso a Dedicação seja em uma igreja onde já se costuma celebrar o culto poderá ser omitido dos seguintes ritos:
    1. Abertura da porta: a entrada deverá ser feita como a descrita no modo simples, porém poderá manter o rito de entrega da igreja ao Bispo;
    1. A Primeira leitura não precisará ser especificamente o capítulo 8 de Neemias, portanto, escolher-se-á outra leitura apropriada.

[1] A Dedicação de igreja não pode realizar-se em dias que se comemora um mistério que de maneira nenhuma pode ser esquecido, como: Tríduo pascal, Natal do Senhor, Epifania, Ascensão, Domingo de Pentecostes, Quarta-feira de Cinzas, dias da Semana Santa, Comemoração de todos os fiéis defuntos.

[2] 1Cor 3,9c-11.16-17; Ef 2,19-22; Hb 12,18-19.22-24; 1Pd 2,4-9. No Tempo pascal, pode-se tomar uma das seguintes leituras: Ap 21,1-5a; Ap 21,9b-14.

[3] 2Cr 7,16; Is 66,1; Ez 37,27; Mt 7,8; Mt 16,18. Na Quaresma, em vez do Aleluia, o refrão pode ser: Louvor a vós, ó Cristo, rei da eterna glória.

[4] Mt 16,13-19; Lc 19,1-10; Jo 2,13-22; Jo 4,19-24.

Pe. Rogério Ramazotti Calelo
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Mestre de Cerimônias