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O Mundo Geme em Dores de Parto e de Caos...

Diante da dor, a resposta de Nosso Mestre e Senhor é a resposta de um amor exagerado e extremado, o qual nos ajuda a perceber que Ele continua nos “amando até o fim!”, convocando-nos a continuarmos a fazer o mesmo: "Fazei isso em memória de Mim"!

É diante deste imperativo de amor e tanta liberdade que queremos saudavelmente responder como cristãos, buscando realmente nos reaproximar da essência do Evangelho, que é o sentimento de compaixão que nos faz capazes de abaixar e sentir a dor do outro e buscar juntos superá-la com amor, serviço e defesa da vida plena.

Estamos diante da destruição consciente e sistemática das organizações e instituições do pós-guerra, principalmente da ONU e tudo o que ela significou e significa como objetivo de estabelecer a paz e a concórdia entre os povos, por meio de sua postura e busca das relações multilaterais entre as nações, para a preservação do diálogo, respeito e harmonia entre eles.

Lembramos que a Santa Sé (Vaticano), como Estado Pontifício, de forma institucional é membro da ONU e também signatária de vários acordos internacionais, quando estes são estabelecidos a partir dos direitos humanos universais e também da promoção e cuidado da vida em todas as esferas. Já que estes mesmos valores desta instituição foram forjados a partir da influência dos mais de vinte séculos do Cristianismo.

Assim, é sempre bom recordar e reforçar que, mesmo com suas defecções, a ONU (como toda instituição humana) foi construída alicerçada em muitos valores cristãos profundamente arraigados em nossa sociedade ocidental. Porém, como até as religiões e os próprios valores cristãos estão sendo também questionados nesse mundo líquido e disruptivo, a própria instituição das Organizações das Nações Unidas está sob permanente ataque, para que não haja mais esse canal de diálogo e venha a prevalecer a barbárie, o caos institucionalizado, que implodem as instituições por dentro para que prevaleça a lei do mais forte.

Defendê-la desses ataques não significa que não possamos renová-la e reformá-la de acordo com as demandas das 180 nações membros, sobretudo com os cenários caóticos de hoje. Porém, isso não se faz destruindo-a ou desautorizando-a a todo momento, mas sim buscando reconstruí-la e atualizá-la, para que corresponda aos anseios de governança global atual.

Com a ONU colocada à margem e lateralmente, o mundo passou a ser governado pela lei dos mais fortes — e não pelo desejo dos 180 países que a compõem — mas sim pelo voluntarismo privatizado no superego de alguns autocratas. Tal lei não é a lei de qualquer mais forte, mas se estrutura na força econômico-bélica que é regida por um bando de valentões de quinta série, que jogam o mundo e as pessoas em tal desorganização causadora de morte, miséria, fome, doenças, desterro de milhões de pessoas que, do dia para a noite, perdem suas casas, sua segurança, sua moradia, sua identidade mais profunda e, o mais atroz e cruel, a perda de tantas vítimas inocentes (como "efeito colateral"), que no silêncio delas se encontram silentes na Cruz de Jesus...

Essas atrocidades, como nos ensinavam os primeiros Santos Padres na Tradição da Doutrina Social da Igreja, são pecados que bradam aos céus, e, como bem alertou o Papa Leão: "Deus não ouve orações de quem eleva as mãos cheias de sangue dos inocentes", vemos assim o fracasso que a guerra produz!

O Cardeal de Jerusalém, Pizzaballa, afirmou que Deus não está do lado dos que matam, mas do lado dos que morrem.

Diante deste caos generalizado e da dor que ele causa em todos os homens de boa vontade, e portanto também em nós cristãos (pelo menos naqueles que ainda não foram cooptados por essa teologia do domínio e da guerra ou que foram arrastados pela apatia da cultura da indiferença), queremos ver no caos a força criadora de um Deus que dele pode tudo criar, recriar e até aproveitar o caos espontâneo para ajudar o homem neste caminho de criação–salvação–evolução e de uma paz inquieta, que pela ternura e o amor extremado da Cruz pode revolucionar o mundo, devolvendo-lhe o lugar da salvação e da saúde; e não da maldição e da doença do domínio e do poder egocêntrico e econômico que instaura a violência, o medo e a intolerância como forma de governar e organizar (desorganizar) o mundo.

Mas toda essa dor causada por esse caos, para nós cristãos, nesta Sexta-feira da Paixão de Nosso Senhor, tem no horizonte a dor do Cristo, que nos mostra que a última palavra quem tem é o Amor apaixonado dele por nós.

Portanto, com resiliência, numa atitude profunda da Espiritualidade da Resistência, que, diante da contradição do conflito, nos coloca e nos faz resistentes a esse modelo de ganância e autossuficiência e nos convida a lutarmos pela fraternidade, solidariedade, bondade, tolerância, equidade e respeito a toda vida humana. Essas virtudes podem de novo ser a força catalisadora para eliminarmos e resistirmos à mentalidade do caos pelo caos e, ao mesmo tempo, valorizarmos o caos espontâneo e criador, que sempre leva a humanidade para o processo do progresso civilizatório em que compreendemos a conclusão de São Paulo, quando diz: "tudo concorre para o bem dos que amam a Deus"!

Que nós, como Igreja, sejamos essa força catalisadora para essa grande corrente do bem e do Amor porque nossa esperança — que não decepciona — nos faz sempre acreditar que Ele, Cristo, O Amor, sempre dará a última palavra, porque vitorioso transformou Caos em Luz, dor em Amor, morte em Vida e vida plena para todos, nesse Jardim pleno de amizade e paz entre todas as pessoas e todos os povos.

Assim creio, assim espero, que seja feita sempre a sua santíssima vontade. Amém!

Padre Luís Antônio Penna
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Luz e
Assessor da Pastoral Fé e Política

Por: Diocese São João em: 08-04-2026 às 19:13:12

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