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13º Encontro Nacional Fé e Política

Representando a Diocese de São João da Boa Vista como Assessor da Pastoral Fé e Política, entre os dias 24 e 26 de abril em São Bernardo do Campo(SP), participei, pela primeira vez, deste movimento Apartidário e Supra Religioso, promovido por movimentos sociais tanto da nossa Igreja Católica (ligados a uma a prática da Doutrina Social da Igreja) como de outros credos religiosos, para um diálogo inter-religioso entre todos.

        É preciso dizer que de tantas teologias válidas e existentes na caminhada eclesial da nossa Igreja, esse grupo de irmãos se fundamentam na Teologia Bíblica da Libertação, que como expressão de uma teologia Latino-Americana foi bem fundamentada, na Encíclica do Papa Leão XIV, Delex-Ti – “Amei-te”, onde essa teologia foi acolhida por esses grupos (ao longo de toda a sua história, construção e fundamentação) reunidos nesse evento. Com esse acolhimento, por parte do Magistério da Igreja, coloca-se uma nova perspectiva que ajudou a clarear distorções, principalmente da parte daqueles que sendo contra esta teologia, muito própria do nosso continente latino-americano, vociferavam contra e perseguiam a seus apoiadores como se ela não fosse válida. Não é válido seus exageros, mas essa regra também se aplica toda e qualquer outra teologia.

        A essência do que pude me enriquecer que esse movimento inter-religioso de Fé e Política foi constatar que ele está alicerçado nas experiencias eclesiais bastante forte das Comunidades Eclesiais de Base e a Pastoral da Juventude, que existem em outras realidades brasileiras, mesmo que não estejam presentes aqui na nossa Diocese de São João da Boa Vista. Mas também outras que existem como: muitos representantes do Conselho e Leigos de várias dioceses e também dos responsáveis pela Caritas. Só para relatar que apesar de ser um encontro plural de tantos credos, o catolicismo tem uma grande influência na organização, participação efetivação do encontro, sempre muito ligado a DSI – Doutrina Social da Igreja.

        Para mim, esse encontro foi muito enriquecedor pela troca e aprendizados e por ter podido participar de fóruns de alguns personagens marcantes da história brasileira e eclesial: De Frei Beto a Ministra do Meio ambiente, Marina Silva, cuja trajetória e sabedoria como mulher, negra e periférica e now how na defesa do meio ambiente, a faz gigante na vida e no testemunho. Aliás, não foi à toa que ela foi convidada pelo movimento mundial “Laudato Si” a assessorar e estar com o Papa Leão XIV de 01 a 03 de outubro de 2025, quando esta Encíclica completava dez anos. E o Papa a escutou atento e respeitosamente. Escutar essa mulher, para quem é razoável para além de ideologias, não há como deixar de reconhecer porque mundialmente ela é reconhecida e a expertise e o domínio que ela tem sobre o tema tão atual, profundo e importante da Ecologia Integral, que nos alerta e provoca a cuidarmos da Casa Comum. Como nos alertava a reflexão da Campanha da Fraternidade de 2025.

        Ao escutar tantas pessoas, que buscam viver uma teologia mais circular, sinodal e, por consequência construtivamente libertadora, me fez reportar alguns conceitos que aprendi ainda jovem, na Pastoral da Juventude, que carrego comigo como identidade. Mas certamente, agora conceitos muito mais amadurecidos buscando superar radicalismos, que só impedem o diálogo e não nos leva a caminhar e fazer nascer, na liberdade de cada pessoa, a consciência de quem somos e de que é esse Deus, revelado por Jesus Cristo, que nos compromete com uma espiritualidade encarnada, e por isso também transformadora da realidade, a partir dos critérios do Evangelho e do Reino de Deus.

        Também foi uma experiência singular eu poder partilhar com alguns coordenadores de Fé e Política bem perto de nós, como o Senhor Luís, meu xará, coordenador da Pastoral Fé e Política da Diocese de Guaxupé... Ele é um exemplo de tantas experiências enriquecedoras, que pude viver nesses três dias e depois podermos fazer ponte de articulação entre uma pastoral e outra, uma diocese e outra. Outro objetivo, que nos tocou a todos e todas é perceber, que se não encantarmos as pessoas pela Boa Política, principalmente os mais jovens, essa maneira de ver e sonhar o mundo e a Igreja e as religiões, pode estar ameaçada.

        Aqui não se trata de profetismo da desgraça, muito pelo contrário, e nos alertarmos que devemos passar essas experiências a outros, que também possam se encantar com a causa do bem comum e do Evangelho, por mais desafiador que nos pareça.

        Esse é um desafio mais macro. Já para a nossa Diocese de São João Da Boa Vista, temos o micro desafio, que é da nossa realidade, mas que é tanto quanto desafiador. Esse desafio é, como Pastoral Fé e Política, despertarmos o Encantamento pela Boa Política. E não somente isso, mas também tirar dela o ranço, o preconceito, a resistência e até mesmo a alienação de muitos, que até legitimados pelo pseudo-evangelho, não querem se aproximar dessa realidade. Porém, na verdade, como fenômeno, a política engloba a vida humana e todo o ser humano, e o ser apolítico também é uma escolha política que pode, muitas vezes, inclusive prejudicar o coletivo e não raras vezes, o próprio indivíduo que escolhe esse descaminho.

        Entretanto, a atitude do Esperançar o Bem Viver é um movimento interno e coletivo de cada um de nós que pautados nos valores cristãos, queremos pela política, que é o único meio institucional de transformação social, fortalecer nossa democracia, nossa participação e nosso sonho de através desta mediação, construirmos um mundo mais justo, fraterno, solidário e com profundo senso de pertença e equidade.

        Padre Luís Antônio Penna – Assessor Eclesiástico da Pastoral Fé e Política.

Por: Diocese São João em: 02-06-2026 às 15:58:09

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